sábado, 18 de julho de 2009

das batalhas torrenciais ©, primeira parte

Escrito inicialmente em 2002, Das batalhas torrenciais passou por uma profunda reformulação nos últimos meses. O poema divide-se em cinco partes. Com vocês, a primeira delas, intitulada O Precursor.



Em depressiva apologia, avançam tempos,

Em cem anos que passam como fosse por nada.

No dia em que me levantara, ébrio e completo,

Feito da volúpia do que mais me satisfez,


Fui perante as pessoas que mais me urgiam

Para que me aplaudissem, vigorosamente,

Sorrindo, com a visão de atônitos rostos,

Sem mover sequer músculo à resposta da alma.


Entreguei-me a eles, à alegria de Narciso,

Afoito, pronto a obter alimento e coração,

Escrevendo à platéia ‘té bulissem dedos,

E nas taças de vinho seesvaíssem


Os desânimos; inebriado de ser alvorada,

Esfolado, meu coração, só púlpito,

Palpitando em macabra panacéia,

Vendo que fatal a arma maisfalha.

Foi no instante em que Satã pôs-se a mesa

Repartindo-me em seu entrecortado centeio;

Instante que durou apenas para que ouvíssemos

Que já havia de tanto esgotado-se o Ser.

1 comentários:

Anônimo disse...

De fato, algumas coisas simplesmente existem em nós, e nós, com o tempo, as modulamos, amadurecemos, aprendemos a manusear, a tatear, a fazerbem cada vez mais. Elas são lapidadas, mas estão prontas.