terça-feira, 10 de novembro de 2009

muito além do bem e do mal, 59 (1)

A obra que trata da própria possibilidade de se fazer - que quer que seja.


Quem observou o mundo em profundidade, percebe quanta sabedoria existe no fato de os homens serem superficiais. É o seu instinto conservador que lhes ensina a ser volúveis, ligeiros e falsos. Aqui e ali encontramos, entre filósofos e artistas, um culto apaixonado e excessivo das "formas puras": ninguém duvide que quem necessita de tal maneira adorar a superfície, em algum momento fez uma incursão infeliz por baixo dela. Talvez haja até mesmo uma hierarquia entre essas crianças escaldadas que são os artistas natos, cujo prazer na vida se resume à intenção de lhe falsear a imagem (como uma prolongada vingança da vida -): o grau de desgosto que a vida alcançou neles poderia ser medido pelo quanto desejam vê-la falseada, diluída, idealizada, divinizada - os homines religiosi poderiam ser colocados entre os artistas, como sua categoria suprema.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

espaço em-sombra

Para se fecundar o espaço do equilívrio próprio daquilo que se faz em-sombra: para ser, na contraluz, a matiz daquilo que se conhece na dimensão das possibilidades de um horizonte phatico, alumiado, entrevisto nas penumbras de seu próprio e mesmíssimo sol.


O processo destinado ao

equilíbrio das sombras

: é fato em fogo, nas chamas daquilo que se queima

como resina e prelúdio de um eterno esmorecimento

amargo

soberbo

dilacerado pelo espaço fractal de uma esfera

entre-laçada pelas bocas do Predador.

É equilívrio, em sendo a sombra que não procede

ao exame da proeminência do aspecto entrelaçante

de uma rede entoada de vermes, senão os peixes

que se entrefuram na ausência carnofrívola

dos embotados; dum cálido – mas não

dissonante

ou arbitrário

[:afogadamente encapsulado nas petrifeitas

espaçoníveras abantesmas de nosso-Ser]

Mas, sim, entrafeito e colossal, o dorso pulsionado

por meticulosas

,e,

tardias alegóricas

de um outro ser,

qu’em outra métrica, arcabouço dos

Peremptórios réus de

Voca e Entropia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

the psychedelic society (2), terrence mckenna

Se o que sou é linguagem, que dizer daquilo que - é?


The psychedelic drugs can be conceived of as points on informational dread – they provide new perspectives on reality. And it is when you connect all the points of perspectives that you have one reality that a reasonable applicable model of it begins to appear. And I think this reasonable applicable model, what [someone] called something which is truly enough, is what we’re looking for. The true enough mapping of experience on to theory is what we’re looking for.

But experience must me made primary. The language of the self must be made primary. And anarchy carries this responsibility, even when it’s only political anarchy. What I’m saying is that we which take responsibility for the cultural transformation by realizing that it is not something which will be disseminated from the top down. It is something which each of us can contribute to by attempting to live as far into the future as possible. (…) We must smear the historical moment and become exemplars of the humanity of the end time.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

em-espaço

Atravancado, ainda assim nasce o poema.


Quem espeta de espaço

o alvoroço de um tempo em ética menor:

que devasta, s’eu sou fato,

a minúcia, o dedilhado do entardecer

que não é senão ferrolho;

{Sois metade do não-tempo que escoou.}

Aos olhos de Morfeu, meu Deus quem eu é

que me estorvou,

as pétalas mais sombrias,

Os orixás do então maré,

os entes alquebradas do ser que se enganou:

“Ventava

cabava-se o mundo,

alheios dois, nossa matiz,

dois versos, que então berrava – e fermentaste,

cantata ao urubus, os olhos mágicos referindo

pronde eu vou: e sói dos olhos, ó Destemida:

sóis dos olhos ao vosso Porte que aqui entregara:


e dissera, ameno;

{:e dize, aos ventos dados, a alma ancaminhada:}

“Vértice, Osíris, Sírios nos damascos que inventou!

A aurora cai no espaço - alado estou! A chuva bate forte!

Os empoados quero-queres dizem Salve meu Senhor! volto apenas na aurora,

digo volta, vou-me-embora, rumo à sebe do Intentor!

Digo “Escuta, caro Mouro! Cedo é em mundo o criador!

pois se ausculta a voz Tremenda, soberbo e farejador;

sabe dizer quando a voz Cala :

e cede à procura em seu algo-r!


sabe dizer quem faz-se almeje,

sabe cantar, quem face impor.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

espaço

Poema-espaço: inaugura Cronos à medida que se faz luxúria.


Se em espaço do que

vejo

não suporto o conceber

sou porta

,então,

ensejo;

sou ventríloquo do saber.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

poema, de 2009

Meu último poema, ainda dessa semana - que chove, e não chove, e faz sol.


Se no canto da noite mais profunda

Ousasse intercalar palavras vazias –

Um dito aqui, àquele moribundo,

Que não sabe que

Funâmbulo, e vida, e circo –

Sobraria ainda o espaço inteiro,

Que minha voz fala apenas da decadénce.


Porque se digo – é de um desejo,

palatável, de sentir do êxtase

cuja benção deu-se Maior.



há-coisas que aumentam o espetáculo,

e a multidão. torto, sou empoado desejo,

sugar em vós sangue mais quente,


a mão tremelicante de anseio,

a espera, mas certeza – alegorando,


{a voz que por certo não é minha.


FAÇO, E DIGO E METICULO:


dois momentos são dois tempos

que inter-calam a Sobrevida


do que a morte dilacera.

se pudesse, eu te diria que a passagem


desta via


tem só ida, e não tem volta.


No entanto, fala forte

o meu gosto por angústia, minha audácia e minúcia

no saber de tua carne.


Que a mente me desperta, a carne, fata, faz-se alerta.

Da estética me enfezo.

Os olhos faço em-Ser quem meço,


o peito vaia ouvidos doutos,

o olho sangra em sangue pouco


- e enfim, mas só enfim:


EU ME DESPEÇO!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

das batalhas torrenciais ©, quarta parte

Novamente, com Das batalhas torrenciais. Desta feita, a quarta parte do poema, Nyx.


Sucedeu então que o desfecho da batalha,

A raiva enregelando-se nos punhos,

Eros exaltado às beiras de abismo,

Encorajou os mares a seguirem luta,

As castas da alma a colocaram serviço em vida,

Postos à margem de uma pena em sôfrego

Viver. Colocou-se à anarquia o papel que fosse

Caos, concebendo, então, a célula máter do abismo.

Fez-se então que Mater pôs-se à Abismo,

O eixo de espetáculo sendo o eixo de razão,

A procissão de idéias tornando-se fato de sombra,

E o todo de borracheira aninhando-se em Absoluto.

Até que feito esplêndido, uma noite em céu mais cru,

Destino fez-se escravo de uma certa e Tao pulsão,

E em vida definhou a espécime em Primordiais –

trouxemos fogo, e marcada, a carne para a sempre.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

poema de amor

Um poema sincero, fluido, de-aurora. Um poema que se faz amor.


andei pelo caminho,
as estradas atravessando em bússolas de existência.

quando vi que ali havias, e haverias de se haver,
houve que, então, Ser fomos dois - um dialeto por essência,

um caminho em mútuo-ver; e aí, os dedos imbuídos de resistência,
a voz malquebrada de entender - fomos, dois, Ser-em-um - mono-tonia de querer;

um mesmo caminho, dobrável, sisudo; uma mesma voz - e para sempre,


e sempre a aurora,
o espetáculo,
o florescer

- de quê?,
perguntarias;
de nós.
de mim, e de você.


o florescer da nossa tarde,
- 'té que chegue anoitecer.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

the psychedelic society (1), terrence mckenna

Não como prerrogativa, não como fato, não como idéia.
mas sim como linguagem.

Models of the psychedelic experience, which saw it as somehow stripping away of resistance and a reveling of complex and hidden emotions, and motives, and believes systems; has been replaced, in the last five to ten years, with the shamanic model of hallucinogenic in shamanic experience. This model holds that archaic peoples have deputize special people to prove hidden information fields using psychedelic drugs; and the information extracted from this information fields is then used to guide and direct the society.

Now, I’m interested in the second model, and spent time in the Amazon and got familiar with the operational mechanisms of shamanism and shamanic personalities and that sort of thing; but I believe, actually, that the psychedelic experience looms larger than the institution of Shamanism, and that we hold the unique opportunity, which is sort of the flipside of the culture crises. Our ability to destroy ourselves is the mirror image of out ability to save ourselves.

And what is lack is a clear vision of what should be done. (…) What needs to be done is that fundamental ontological concepts about reality have to be remade. We need a new language. And, in order to have a new language, we must have a new reality. (…) A new reality would generate a new language, a new language would fix a new reality and make it part of this reality.